Movimento como aliado da saúde mental: especialista explica como exercício, alimentação e rotina podem proteger a mente

Segundo profissional da Medicina do Estilo de Vida, pequenas mudanças na rotina, como sono, alimentação, atividade física e relações sociais, podem ajudar a proteger a saúde emocional e a identificar sinais precoces de esgotamento

O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de casos de burnout, atrás apenas do Japão, e estudos da International Stress Management Association (ISMA-BR) e da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) apontam que cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros convivem com algum grau da síndrome, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doença ocupacional desde 2022. Diante desse cenário, cresce a discussão sobre como os hábitos do dia a dia podem funcionar como fatores de proteção para a saúde mental.

Para Thais Rodella, especialista em coluna, dor e treino personalizado, pós-graduada em Medicina do Estilo de Vida e life e executive coach, o corpo e a mente não devem ser tratados como assuntos separados.

“Sono, alimentação, movimento e relações sociais não são detalhes da rotina: são pilares que sustentam o equilíbrio emocional. Quando um desses pilares está fragilizado por muito tempo, o corpo começa a dar sinais, e é aí que muita gente passa a viver em estado constante de estresse sem perceber”, explica.

Movimento como aliado, não como cura

De acordo com a especialista, é preciso cuidado ao associar atividade física à saúde mental. O exercício pode contribuir para o bem-estar emocional, mas não substitui acompanhamento profissional quando existe um quadro clínico instalado.

“Não dá para tratar o exercício como remédio para tudo. Ele é um aliado, uma ferramenta de proteção e prevenção, que ajuda o corpo a lidar melhor com o estresse do dia a dia. Mas quando existe sofrimento psicológico instalado, o caminho é buscar acompanhamento especializado, e a atividade física entra como parte de um cuidado mais amplo, nunca como substituto”, pondera Thais.

Os pilares de um estilo de vida que protege a mente

A Medicina do Estilo de Vida trabalha com evidências que relacionam hábitos cotidianos à prevenção de doenças físicas e emocionais. Entre os pilares apontados pela especialista estão a qualidade do sono, a alimentação, a prática regular de atividade física, o convívio social e a organização da rotina.

“São mudanças simples, que parecem pequenas isoladamente, mas que juntas fazem muita diferença: dormir melhor, se alimentar com mais regularidade, se movimentar todos os dias, manter vínculos sociais e ter uma rotina que dê espaço para descanso. Isso não elimina os problemas da vida, mas fortalece a capacidade da pessoa de atravessá-los”, afirma.

Como perceber os sinais de esgotamento

Segundo Tha Rodella, um dos maiores desafios é reconhecer o momento em que o cansaço deixou de ser pontual e passou a ser constante. Sinais como irritabilidade frequente, dificuldade para dormir, queda de rendimento e desânimo persistente costumam aparecer antes de um quadro mais grave.

“Muita gente só percebe que está esgotada quando o corpo já deu um sinal mais forte, como uma dor, uma crise de ansiedade ou uma queda de produtividade. Prestar atenção na rotina, no sono e no humor no dia a dia é uma forma de agir antes que o quadro se agrave”, orienta.

Cuidado integrado, não fórmula única

Para a especialista, não existe uma receita padrão de rotina saudável, já que cada pessoa tem limitações, contexto e histórico diferentes. O papel da Medicina do Estilo de Vida, segundo ela, é ajudar cada indivíduo a identificar quais ajustes fazem sentido para a sua realidade.

“O objetivo não é impor uma rotina perfeita, e sim ajudar a pessoa a entender o próprio corpo e as próprias necessidades. Quando alguém entende o que o sono, a alimentação e o movimento representam para o seu bem-estar, ela consegue fazer escolhas mais conscientes e sustentáveis ao longo da vida”, conclui Tha Rodella.

Thais Rodella é especialista em comportamento humano, gestão de pessoas e Medicina do Estilo de Vida. Atua no desenvolvimento de lideranças, saúde emocional, cultura organizacional e bem-estar corporativo, auxiliando empresas na construção de ambientes mais saudáveis e sustentáveis.

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