Câncer de mama: o que seus genes podem revelar sobre o risco da doença?

Histórico familiar, genética e hábitos de vida podem influenciar o risco da doença. Especialista Dr. Pedro Andrade, explica como a medicina de precisão ajuda a identificar vulnerabilidades antes mesmo do surgimento dos primeiros sinais


Ter um histórico familiar de câncer de mama costuma despertar preocupação e muitas dúvidas. Mas será que a genética, sozinha, é capaz de determinar quem desenvolverá a doença? Segundo o médico, pesquisador e fundador do Instituto Genoma, Dr. Pedro Andrade, a resposta é não.


Embora algumas alterações genéticas possam aumentar a predisposição ao câncer de mama, elas não representam uma sentença. Hoje, exames que avaliam genética, metabolômica e biomarcadores permitem identificar vulnerabilidades biológicas e direcionar estratégias preventivas cada vez mais personalizadas.


“O objetivo não era descobrir se ela teria ou não câncer de mama. A medicina não funciona dessa forma. O foco era entender se existiam mecanismos biológicos que pudessem estar contribuindo para os sintomas e, eventualmente, aumentando riscos ao longo da vida”, explica.


Caso clínico ilustra como a medicina personalizada atua na prevenção


Um caso acompanhado pelo especialista mostra como essa abordagem pode auxiliar na prevenção.
A paciente procurou atendimento por apresentar TPM intensa, fluxo menstrual aumentado, oscilações de humor, ansiedade, irritabilidade e uma piora significativa do sono na segunda metade do ciclo. Além dos sintomas, havia um fator que aumentava sua preocupação: sua mãe havia enfrentado um câncer de mama.


Embora esse histórico não fosse suficiente para indicar qualquer diagnóstico, a combinação entre os sintomas persistentes e o antecedente familiar levantou uma questão importante: existiria alguma predisposição biológica que merecesse uma investigação mais aprofundada?


Foi a partir dessa pergunta que a paciente iniciou uma avaliação baseada em medicina de precisão, área que busca compreender como fatores genéticos, metabólicos e ambientais interagem de forma única em cada indivíduo.


Exames identificaram vulnerabilidades biológicas


A investigação incluiu análises genéticas e metabolômicas, tecnologia capaz de identificar centenas de moléculas produzidas pelo organismo em tempo real.
Os resultados revelaram níveis elevados de 8-hidroxidesoxiguanosina, um marcador associado ao dano oxidativo no DNA, além de aumento da 4-hidroxiestrona, um metabólito derivado do estrogênio que, quando produzido em excesso, tem sido associado a maior estresse oxidativo e alterações celulares.


A análise genética trouxe informações complementares.
Foram identificadas variantes em genes envolvidos no metabolismo hormonal que poderiam favorecer uma produção aumentada desses metabólitos e uma menor capacidade de neutralizá-los e eliminá-los.


Em outras palavras, o organismo daquela paciente parecia produzir quantidades maiores de compostos potencialmente mais agressivos para o DNA, ao mesmo tempo em que apresentava menor eficiência em algumas vias responsáveis por sua detoxificação.


“Isso não significa que ela desenvolveria câncer. Não existe um gene ou exame capaz de determinar sozinho o destino de uma pessoa. O que observamos foi um conjunto de fatores que apontava para uma vulnerabilidade biológica que merecia atenção”, afirma o especialista.


A nova fronteira da prevenção


Ao contrário do modelo tradicional, que frequentemente age apenas após o surgimento da doença, a medicina de precisão busca identificar alterações precoces e atuar antes que elas se transformem em problemas clínicos relevantes.


Com base nos resultados obtidos, foi elaborado um plano individualizado envolvendo alimentação, qualidade do sono, atividade física, saúde intestinal, manejo do estresse e suplementação direcionada para as necessidades específicas da paciente.


Seis meses depois, os resultados chamaram atenção.
Os sintomas da TPM reduziram significativamente, o humor tornou-se mais estável, o sono melhorou e o fluxo menstrual diminuiu. Paralelamente, os marcadores laboratoriais relacionados ao dano oxidativo e ao metabolismo estrogênico retornaram para níveis mais favoráveis.


Para o Dr. Pedro Andrade, o caso ilustra uma mudança importante na forma como a medicina passa a enxergar a prevenção.


“Durante décadas falamos em prevenção de forma genérica. Hoje conseguimos compreender que pessoas diferentes possuem vulnerabilidades diferentes. Quanto mais cedo identificamos essas características, maior é nossa capacidade de agir de maneira personalizada”, destaca.


Genes influenciam, mas não determinam


A ideia de que a genética representa uma sentença definitiva ainda é um dos maiores equívocos quando o assunto é saúde.


Embora os genes possam influenciar a forma como o organismo responde a hormônios, nutrientes, inflamação e fatores ambientais, eles raramente atuam de maneira isolada.


Hábitos de vida continuam desempenhando papel decisivo.
“Costumo dizer que os genes podem carregar a arma, mas o ambiente frequentemente decide se o gatilho será ou não acionado. Alimentação, sono, atividade física, controle do estresse e exposição a fatores ambientais são capazes de modificar profundamente a expressão biológica dessas predisposições”, explica.


O futuro da medicina pode estar na antecipação


O avanço das tecnologias de análise genética, metabolômica e biomarcadores está transformando a prevenção em uma ciência cada vez mais individualizada.
Em vez de esperar que os sintomas apareçam ou que a doença se manifeste, especialistas passam a buscar sinais precoces que permitam intervenções mais direcionadas e eficazes.


Para o Dr. Pedro Andrade, essa talvez seja a verdadeira revolução da medicina moderna.
“Talvez o maior avanço não seja descobrir quem ficará doente. Talvez seja identificar vulnerabilidades cedo o suficiente para que a história possa ser reescrita.”


No fim, a mensagem vai além da tecnologia.
Toda célula do organismo responde diariamente aos sinais enviados pelos hábitos, escolhas e comportamentos. E cuidar da saúde das mamas, assim como da saúde como um todo, pode começar muito antes de qualquer diagnóstico, na construção consciente de uma rotina que favoreça vitalidade, equilíbrio e longevidade.


Instagram:
@drpedroandrade

Compartilhar

Últimas

Mais buscadas

Relacionadas

Do Excel ao ERP: como pequenos negócios estão profissionalizando a gestão

Criado em 2009, o GestãoPro acompanha a virada de planilhas para sistemas integrados e hoje atende de 900 a 1.200 empresas em todo o Brasil e no exterior

Beto Quintão lança Doctor Led Growth para transformar autoridade em crescimento

Método criado por Beto Quintão integra autoridade, posicionamento, marketing e gestão para impulsionar profissionais da saúde

Sete anos vendendo brigadeiro na rua e um nome lido ao vivo: como Lucinea chegou ao R$ 1 milhão do Pix do Milhão

Aposentada havia três meses, Lucinea de Lima Caldeira, de Campo Grande (MS), acompanhava a transmissão do Pix do Milhão quando viu o próprio nome entre os contemplados. O prêmio foi de R$ 1 milhão. A história por trás daquele instante começou sete anos antes, num tabuleiro de brigadeiros carregado pelas ruas ao lado do filho mais velho.

Inaltex lança Prosex Pro, preservativo sintético sem látex fabricado no Brasil

Produto é feito com látex sintético Cariflex, também produzido no país, e amplia a oferta de proteção sexual para pessoas com alergia ao látex natural