Bruxismo bate 1 milhão de buscas e acende alerta sobre estresse

Dra. Andréa Melo analisa alta das buscas por bruxismo e explica como estresse, sono, telas e rotina ajudam a entender o avanço do problema entre os brasileiros

Os brasileiros fizeram mais de 1 milhão de buscas relacionadas ao bruxismo no Google entre julho de 2025 e julho de 2026, segundo levantamento da Dental Speed, distribuidora de produtos odontológicos. O número, que coloca o tema entre as maiores preocupações de saúde bucal e física do país, não surpreende a cirurgiã-dentista Dra. Andréa Melo, mestre e doutora, referência em bruxismo, sono e qualidade de vida. Para ela, o pico de pesquisas é o reflexo de um fenômeno real e mensurável: uma população estressada, hiperconectada e dormindo mal.

O estudo também mapeou o interesse por estado. O Distrito Federal lidera o ranking, seguido por Rio de Janeiro e São Paulo, que registraram 145,9 mil buscas no período. Completam o top 10 Espírito Santo, Ceará, Paraná, Minas Gerais e Goiás, com o Sudeste concentrando o maior número de estados entre os primeiros colocados. Como o levantamento considera o volume de buscas de forma proporcional à população, a presença dos estados do Sudeste no topo sugere uma relação entre o interesse pelo tema e o estilo de vida urbano.

Entre os termos mais pesquisados estão as perguntas “como saber se tenho bruxismo?”, “o que é bom para bruxismo?”, “o que significa bruxismo?” e “qual a causa do bruxismo?”. Já as buscas por “dentista bruxismo” cresceram 21% no período, sinal de que parte das pessoas está saindo da dúvida e procurando ajuda profissional.

Para a Dra. Andréa Melo, o recorde de buscas não é um modismo digital, e sim um termômetro do estilo de vida. Os números de prevalência reforçam a leitura: segundo meta-análise publicada no Journal of Clinical Medicine (2024), a América do Sul tem a maior prevalência de bruxismo em vigília do mundo, cerca de 30% da população, além de 23% com bruxismo do sono.

“Não é exagero dizer que o bruxismo virou um termômetro do nosso estilo de vida. Na América do Sul, cerca de 30% da população aperta os dentes acordada, a maior prevalência do mundo, e 23% apresentam bruxismo durante o sono. O que a explosão de buscas revela não é só um país com dentes rangendo: é uma população estressada, hiperconectada e dormindo mal, tentando entender o próprio corpo”, afirma.

A especialista destaca ainda a diferença clínica entre os dois tipos de bruxismo, que costuma gerar confusão entre quem busca respostas na internet.

“O bruxismo em vigília é o apertamento que acontece acordado, muitas vezes em momentos de concentração ou tensão. O bruxismo do sono ocorre durante a noite e está diretamente ligado à qualidade do descanso. São comportamentos diferentes, com sinais diferentes, e o tratamento também precisa ser pensado de forma individual”, explica.

O crescimento das buscas por “como curar bruxismo” chamou a atenção da especialista para outro movimento: o autodiagnóstico. Ela defende o papel da internet em despertar a dúvida, mas reforça que a avaliação clínica é insubstituível. Criadora da metodologia DTC (diagnóstico, tratamento e controle) com mais de 2.500 alunos em 27 países, a Dra. Andréa Melo explica que desenvolveu um exame para de fato verificar os movimentos noturnos do paciente por 5 a 7 dias. O exame da placa diagnóstica é feito em casa nas condições normais de sono do paciente. A mesma publicou, em 2019, o nome exame da placa diagnóstica (EPD) em uma revista científica da área.

“A internet tem um papel importante em despertar a dúvida e levar a pessoa ao consultório, mas o diagnóstico é feito por profissional habilitado. Apertar os dentes não é ‘apenas um hábito’: pode estar associado a estresse, distúrbios do sono e até problemas respiratórios noturnos. Buscar respostas no Google é o primeiro passo; o segundo, e decisivo, é a avaliação de um cirurgião-dentista habilitado e exames complementares diferenciais”, alerta.

Outro ponto que a Dra. Andréa considera essencial para o público entender: a forma como a ciência enxerga o bruxismo mudou. O consenso científico internacional atualizado em 2025 passou a defini-lo como um comportamento motor, que pode ocorrer em diferentes contextos e fatores, e não mais como uma doença. Dentro do consenso internacional das desordens do sono o bruxismo é qualificado como uma desordem motora. Isso amplia o olhar do profissional para além da boca, considerando sono, estresse e qualidade de vida de cada paciente.

Sobre a Dra. Andréa Melo

Cirurgiã-dentista, mestre e doutora, referência em bruxismo, sono e qualidade de vida. Atua na construção de autoridade científica e na educação em saúde. Tem mais de 2.500 alunos que já passaram pela sua metodologia em 27 países com 3 diferentes línguas, sua missão é traduzir evidências científicas e clínicas em orientações práticas sobre saúde bucal e descanso. Mudando a percepção de valor da odontologia.

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