Ela não caiu na fogueira. Mesmo assim, saiu de lá gravemente queimada

Paramédica alerta para riscos pouco conhecidos das fogueiras durante as festas juninas


“Vai! Pula! Pula!”
Ela correu, saltou a fogueira e aterrissou do outro lado sob aplausos dos amigos.

O que ninguém percebeu foi que uma pequena faísca havia atingido a barra do vestido durante o salto.
Segundos depois, a roupa começou a pegar fogo.

A história é fictícia, mas acidentes semelhantes acontecem todos os anos durante as festas juninas e podem resultar em queimaduras graves, internações prolongadas e sequelas permanentes.

Segundo a paramédica Priscila Currie, brasileira que atua há mais de uma década em atendimentos de emergência no Reino Unido, existe uma falsa sensação de segurança em torno das fogueiras.

“A maioria das pessoas acredita que o único perigo é cair dentro da fogueira. Mas muitos acidentes acontecem sem que a vítima sequer encoste diretamente nas chamas”, explica.

De acordo com a especialista, roupas largas, vestidos, saias, fantasias, cabelos compridos e acessórios podem facilitar acidentes, principalmente quando as pessoas participam da tradicional brincadeira de pular fogueira.

Outro risco frequente é a utilização de álcool ou outros combustíveis para acender ou reacender o fogo.

“Em segundos, as chamas podem retornar em direção à pessoa e provocar queimaduras graves no rosto, braços e tórax”, alerta.

Priscila também chama atenção para um perigo pouco conhecido: as fogueiras aparentemente apagadas.

“Muitas pessoas acreditam que o risco acabou quando as chamas desaparecem. Mas brasas e cinzas podem permanecer extremamente quentes por muitas horas e causar queimaduras importantes, principalmente em crianças.”

A paramédica destaca que os primeiros socorros corretos podem reduzir significativamente a gravidade das lesões.
“Se a roupa pegar fogo, a pessoa deve parar, deitar no chão e rolar para apagar as chamas. Depois, a queimadura deve ser resfriada com água corrente fria por pelo menos 20 minutos. Produtos caseiros, como pasta de dente, manteiga ou café, não devem ser utilizados.”

Para a especialista, a prevenção continua sendo a melhor forma de evitar emergências. “As festas juninas fazem parte da nossa cultura e devem ser celebradas. O importante é lembrar que tradição e segurança precisam caminhar juntas.”

Sobre a especialista

Priscila Currie é paramédica formada pela St George’s University of London e atua há mais de uma década em atendimentos de emergência. Conhecida nas redes sociais como @priscila_paramedica_londres, compartilha informações sobre primeiros socorros, prevenção de acidentes e situações de emergência.

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